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20 de Agosto: O Início do Pesadelo e da Saudade

  • Foto do escritor: Renata Robazza
    Renata Robazza
  • 27 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 7 de jul.


20 de agosto, por volta das 20h. De verdade, não me lembro da hora certa, mas essa data jamais vai sair do meu coração.


Naquela semana, nós estávamos em São Paulo. Eu tinha vindo na segunda-feira à noite para acompanhar o Alê em uma palestra, e o plano era retornarmos para São Simão na quinta. O Luca e a Pietra haviam ficado no interior. Naquele semestre, como a Pietra tinha decidido fazer homeschooling, eu me sentia mais tranquila por saber que um faria companhia ao outro. Além disso, o Luca sempre foi muito responsável; meus pais moram a poucos metros da nossa casa, então ficar sozinho nunca tinha sido um problema.


Minha rotina costumava ser essa: passar uma semana por mês em São Paulo para dar suporte à nossa estrutura por lá, enquanto a vida corria normal no interior. E tudo parecia normal, até aquele início de noite.



Estávamos em São Paulo quando o telefone do Alê tocou. Era o nosso compadre Irineu — amigo de longa data, padrinho do Luca e médico.


Eu estava ao lado do Alê e escutava a conversa, mesmo não estando no viva-voz. Rapidamente, passou pela minha cabeça que o assunto pudesse ser o almoço solidário que o centro espírita organiza e do qual o Irineu faz parte. Nós participaríamos no domingo, e me veio à mente que eu ainda precisava avisar o Luca, pois tinha comprado um convite para a Helô, namorada dele, ir conosco.


Mas as duas frases após o "alô", ditas em um tom profundamente sério, quebraram qualquer pensamento cotidiano e me deixaram em alerta máximo: "Você está onde? Está com quem?" Naquele instante, meu corpo reagiu.


Olhando para trás, percebo que passei o dia inteiro indisposta. Meu intestino soltou pela manhã — algo raro, pois tenho o intestino super preso — e meu estômago esteve estranho o dia todo. À noite, passamos na padaria para tomar uma sopa, mas consegui engolir apenas um pouco. O corpo já pressentia...


E então veio a frase que nenhuma mãe no mundo deveria escutar: "Perdemos o nosso Luca".


O Alê ainda não havia entendido. "Luca? Que Luca?", ele perguntou. Mas eu sim. Eu entendi imediatamente. Perdemos o nosso Luca. Não tinha como não entender, não precisava saber de mais nada; eu já não o tinha mais.


A primeira coisa que pensei foi em um acidente. Depois, ao ouvir a forma como aconteceu, cheguei a pensar que a namorada o tivesse traído, mas, no fundo do meu coração, eu sabia que ele não tomaria essa atitude por causa disso. E, na verdade, agora não importava mais. Eu não tinha mais o meu filho.


Mas, como se essa dor não bastasse, veio o relato mais devastador: foi em casa, no banheiro dele. E a minha filha foi quem o encontrou e tentou reanimá-lo, junto com o namorado dela.



Como lidar com tamanha dor? Perder um filho e saber que sua outra filha conheceu a pior dor do mundo naqueles minutos?


Espírita que sou, apeguei-me imediatamente às minhas preces: "Deus, mentores, por favor, tenham piedade do meu filho. Deus, mentores, Nossa Senhora, cuidem da minha filha."



A partir dali, foi só pesadelo. Um pesadelo que sei que não terá fim. Não é uma sentença; é uma constatação. Nunca mais terei o meu Luca ao meu lado — não este Luca. Pode ser em uma próxima encarnação, e estou tentando fazer tudo direitinho para ter esse merecimento... mas esse Luca, nunca mais.






Toda vez que posto alguma foto ou algo sobre o Luca, marco a antiga conta dele: @lucagiorge. Quem quiser ver um pouquinho do que foi, é só acessar este Instagram. O que ele usava, Luca Suav, deve ter sido excluído pela plataforma.







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