Nossos Últimos Momentos: Planos, Cumplicidade e o Legado do Luca
- Renata Robazza

- 1 de jul.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 5 dias

Quando olho para trás, percebo que a última semana do Luca foi o reflexo exato de como ele viveu: cercado de planos para o futuro, focado em seus propósitos e unido a nós. Cada conversa daqueles dias guardou um pedaço da sua essência vibrante. Relembrar essa sequência de dias é uma forma de honrar a cumplicidade que sempre existiu entre nós.
Domingo: Os Planos para o Futuro
No último domingo, durante um lanche descontraído em família, aconteceu nossa última conversa presencialmente juntos — eu, ele e o Alexandre. O assunto foi o entusiasmo do Luca com a vinda ao Brasil de um grupo de música do qual ele era muito fã, prevista para o ano seguinte.
O Luca sempre foi acostumado a trabalhar para conquistar as próprias coisas. Ele trabalhava comigo na captação de imagens e pilotava o drone que havíamos comprado para a agência. Fazíamos questão de que ele trilhasse esse caminho por mérito, sem dar nada "de mão beijada", pois sabemos que o que vem sem esforço não é valorizado da mesma forma. Mas, vendo a alegria dele ao falar do show, o pai abriu um sorriso e disse que fazia questão de pagar o ingresso. Ele merecia. Aquele domingo foi feito de expectativas e sonhos.
Segunda-feira: A Ideia e o Combate às Drogas
Na segunda-feira, o foco mudou para o presente e para os desafios que ele adorava liderar. Sabendo que ele estava imerso na preparação da Feira de Ciências da escola, vi na internet uma matéria sobre canis e cães que atuam no combate às drogas. Mandei a ideia para o Luca na hora.
A princípio, ele gostou, mas achou que a logística seria complicada. Eu insisti e disse que iria atrás dessa ideia; expliquei que alguns vereadores poderiam intervir junto ao canil de Ribeirão Preto e que as apresentações em escolas faziam parte do trabalho deles para ajudar na prevenção. Quando ele percebeu que a estrutura era possível, adorou a ideia e agradeceu, entusiasmado.
Naquela mesma resposta, ele me contou que estava em casa com seus três melhores amigos jogando pingue-pongue, testando as raquetes novas que o pai havia levado. Aquela mesa tinha chegado há pouco tempo, comprada justamente para que tivéssemos mais tempo juntos, já que o esporte era uma paixão que ele compartilhava com o pai.
O destino nos permitiu jogar todos juntos uma única vez: dez dias antes, no Dia dos Pais. Não deu tempo de jogarmos mais, mas aquela tarde com os amigos foi cheia da energia que ele tanto amava.
Terça e Quarta-feira: A Entrega à Feira de Ciências
A terça-feira e a quarta-feira — o dia em que ele se foi — foram totalmente preenchidas pelas nossas conversas sobre a Feira de Ciências. O Luca havia assumido a missão de conscientizar a escola com um tema de real importância: a campanha contra as drogas.
Ele passou esses últimos dias articulando, organizando os colegas e garantindo que a réplica do avião que representaria o tráfico de drogas no Brasil ficasse perfeita. Era o assunto que pulsava nele até o último instante.
Um Legado de Reconhecimento
O Luca partiu deixando essas conversas interrompidas, mas deixou também um rastro de orgulho impossível de apagar. O profissionalismo e a dedicação que ele colocava nos trabalhos de imagem e vídeo — os mesmos que ele conquistou com o próprio suor — foram tão marcantes que ele foi reconhecido e homenageado por diversas entidades: pelo Museu Histórico e pela FUNCUS, pela ONG São Paulo e Minas, pela Câmara de Vereadores de São Simão e pela escola onde ele cresceu.
Esses últimos dias não foram dias de despedida, mas sim de vida em sua forma mais pura. Foram dias de um jovem que planejava shows, jogava com os amigos, dedicava-se à escola e transformava a comunidade ao seu redor. É essa linha do tempo de amor, foco e parceria que guardamos para sempre no coração.




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